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  • um diamante gerado pela combustão, como rescaldo final de incêndio.

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    “Minha alegria permanece eternidades soterrada
    e só sobe para a superfície
    através dos tubos de filtros alquímicos
    e não da causalidade natural.
    Ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
    minha alegria:
    um diamante gerado pela combustão,
    como rescaldo final de incêndio.”

    minha alegria – waly salomão

  • mixtape 32 – 24/12/14

    capa (arte: Kiko Dinucci)

    As time goes by Chet Baker Love Song 1 1986 Jazz 01 – As time goes by.mp3
    Lupiciniana Fabiana Cozza Fabiana Cozza 2 2011 Other 02 – Lupiciniana.mp3
    Duas De Cinco Criolo Convoque Seu Buda 3 03 – Duas De Cinco.mp3
    Abra o olho Gilberto Gil Gilberto Gil ao vivo 4 1974 MPB 04 – Abra o olho.mp3
    Como um Raio Romulo Fróes Barulho Feio 5 2014 05 – Como um Raio.mp3
    Four Women Nina Simone The Best of Nina Simone 6 1964 Jazz 06 – Four Women.mp3
    Vozes Invisíveis Graveola e o Lixo Polifônico 2 e meio 7 2014 MPB 07 – Vozes Invisíveis.mp3
    Itinerário Rodrigo Maranhão Itinerário 8 2014 MPB 08 – Itinerário.mp3
    Anjo Exterminado Jards Macalé e Adriana Calcanhotto youtube – Filme Jards 9 2013 MPB 09 – Anjo Exterminado.mp3
    Mini-Mistério Gal Costa Legal 10 2003 Latin 10 – Mini-Mistério.mp3

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  • tudo sentir total é chave de ouro do meu jogo

    lince

    quem fala que sou esquisito hermético
    é porque não dou sopa estou sempre elétrico
    nada que se aproxima nada me é estranho
    fulano sicrano beltrano
    seja pedra seja planta seja bicho seja humano
    quando quero saber o que ocorre à minha volta
    ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
    experimento invento tudo nunca jamais me iludo
    quero crer no que vem por aí beco escuro
    me iludo passado presente futuro
    urro arre i urro
    viro balanço reviro na palma da mão o dado
    futuro presente passado
    tudo sentir total é chave de ouro do meu jogo
    é fósforo que acende o fogo da minha mais alta razão
    e na seqüência de diferentes naipes
    quem fala de mim tem paixão

    Waly Salomão – Olho de Lince

  • Quizá mi única noción de patria sea esta urgencia de decir Nosotros

    benedettiCuando resido en este país que no sueña
    cuando vivo en esta ciudad sin párpados
    donde sin embargo mi mujer me entiende
    y ha quedado mi infancia y envejecen mis padres
    y llamo a mis amigos de vereda a vereda
    y puedo ver los árboles desde mi ventana
    olvidados y torpes a las tres de la tarde
    siento que algo me cerca y me oprime
    como si una sombra espesa y decisiva
    descendiera sobre mí y sobre nosotros
    para encubrir a ese alguien que siempre afloja
    el viejo detonador de la esperanza.

    Cuando vivo en esta ciudad sin lágrimas
    que se ha vuelto egoísta de puro generosa
    que ha perdido su ánimo sin haberlo gastado
    pienso que al fin ha llegado el momento
    de decir adiós a algunas presunciones
    de alejarse tal vez y hablar otros idiomas
    donde la indiferencia sea una palabra obsena.
    (…)

    Quizá mi única noción de patria
    sea esta urgencia de decir Nosotros
    quizá mi única noción de patria
    sea este regreso al propio desconcierto.

    Mario Benedetti – Noción de Patria

  • Prometi nunca render-me ao verso fácil.

     

    sorrisoA RAZÃO DO POEMA

    Prometi nunca render-me
    ao verso fácil.
    À poesia-nuvem
    fluida substância sem contorno.
    Não fuja do meu sangue o verso vago,
    alheio ao barro amargo do Tempo.

    Eu quis o gume,
    a aresta,
    o vinco.

    Recusei o lírio
    das feiras semanais das flores mortas.

    Eu quero um poema-dor,
    arrancado aos pedaços
    da carne da vida.
    Aqui está ele
    sangrando meus dedos
    no cimento da cela.

    A poesia não marca hora.
    Hoje, como há trinta anos,
    está nos jornais.
    Foi pisada,
    cuspida,
    torturada:
    contra todas as formas de morte
    floresce.

    Eu a encontrei num dia de chuva,
    durante o combate.
    Trazia um vento de Liberdade na boca
    e a metralhadora nas mãos.

    Ensinou-me o fogo
    e a palavra.
    Lavrou-me nos pés o roteiro
    dos caminhos que percorrerei:

    nenhuma dor visite a cada de meu irmão
    sem se fazer lágrima nos meus olhos.
    Nenhuma investida dos cavaleiros da morte
    será silenciada.
    E se vier a tortura, ou a morte,
    a marcha para o sol reuniá
    os pedaços dispersos do meu corpo…
    E o canto do Povo sobre a cidade aberta
    não me surpreenderá adormecido.

    Pedro Tierra – A palavra contra o muro

  • mixtape 31 – 27/08/14

    capa

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    Babaô Miloquê Russo Passapusso Goma-Laca – Afrobrasilidades em 78 RPM 1 2014 Afrojazz 01. Babaô Miloquê.mp3
    Cê tá com tempo? Anelis Assumpção Anelis e os Amigos Imaginários 2 2014 World 02. Cê tá com tempo.mp3
    Só Morto (Burning Night) Jards Macalé Jards 2011 3 2011 MPB 03. Só Morto (Burning Night).mp3
    Nem Assim Sérgio Sampaio Sinceramente 4 1982 MPB 04. Nem Assim.mp3
    Luzia Itamar Assumpção e Isca de Polícia Beleléu Leléu Eu 5 1980 MPB 05. Luzia.mp3
    Na Boca do Beco Djavan A Voz e o Violão 6 1976 MPB 06. Na Boca do Beco.mp3
    Abundantemente Morte Luiz Melodia Pérola Negra 7 1973 MPB 07. Abundantemente Morte.mp3
    Mosca Na Sopa Raul Seixas Krig-Ha, Bandolo! 8 1973 Rock And Roll 08. Mosca Na Sopa.mp3
    Ego Rock Janis Joplin In Concert 9 1972 Rock & Roll 09. Ego Rock.mp3
    Quero Sambar Meu Bem Tom Zé Grande Liquidação 10 1968 MPB 10. Quero Sambar Meu Bem.mp3

     

     

     

  • amar sem jejum de sentimento.

    http://daniellazupo.com/Jornalista/wp-content/uploads/2004/09/Adelia-Prado.jpg

    Me disseram outro dia: “Será que você não dá conta de escrever sem falar em Deus, não? Gosto mais quando você escreve sem falar em Deus…” Isso me magoou, me deixou com um talho no peito, os olhos postos em cinza e melancolia, primeiro por causa da coisa mesma, segui porque quem assim me falou eu amo de dar a vida. Eu acho que o homem é religioso como é bípede. Tem Deus no começo e no fim. No meio fica a gente esperneando. Se espernear de acordo, isto é, com sinceridade, esbarra NELE, não tem conversa. Tem gente que grita por gritar, porque acha bonito. Comigo aconteceu, não por mérito meu, está se vendo, que esbarrei cedo. Mais esperneio, mais esbarro e fico puxada, agulha no ímã. Como que eu posso falar de outra coisa? Sofro muito apesar da cara risonha, porque ELE sempre é muito exigidor e fica pedindo coisas difíceis. Tinha muito a tentação de ser pagã. Imaginava que pagão não pagava dízimos, que era só ficar aí, curtindo, lambendo o mel da vida, dançando, saindo no meio do baile, com seu par, procurando um lugar discreto no jardim, pra cochichar no ouvido aquelas coisas boas, segurando na mão da gente, com maciez e quentura. Isso é paraíso, não é? Mas não tem paraíso aqui pra ninguém não. Deus não pega na minha mão. Falar no meu ouvido Ele fala, mas é assim: “Vai, vende tudo que tem, reparte com os pobres e me segue” Não me beija o rosto e ainda me pede a outra face para o bofetão. Mesmo quando me pede em casamento, faz é esponsal místico. Tenho que inaugurar pra mim um jeito novo. Eu falo muito, eu sei disso, mas é só porque ainda não achei minha forma. Quando isto acontecer, vou ficar contida e poderosa, cheia de força como uma nuvem preta expedidora de raio. Santo é assim, não é? Você toca nele e sai uma força que te põe trêmulo e branco. Quero o que se deve querer já que, conforme o mandamento, somos todos chamados à perfeição: é por isso, é por estrito senso de dever que eu quero o mais custoso. Gosto de coisa boa. Me incomoda pensar que pode ser o capeta que lá me confundindo, enchendo a minha cabeça com esta precisão de distinguir, em vez de me dar folga pra viver sem complicação que, pra mim, é o seguinte: comer sem fazer jejum. Amar sem fazer jejum. Ter licença de abrir o coração pra quem eu quiser. Abrir o coração, bem explicado: amar sem jejum de sentimento.

    Adélia Prado – Solte os cachorros